Entrevista com Bell Marques, vocalista do Chiclete com Banana, atração confirmada do Planeta Música 2010


Uma referência quando se trata de carnaval, a banda baiana Chiclete com Banana promete não só um show arrasador, dia 11, no Planeta Música 2010, como também novidades.

A contar da presença de milhares de fiéis seguidores, os chamados “chicleteiros”, e até mesmo das músicas inéditas que o grupo vai apresentar em Manaus, o show da banda tem tudo para ser um dos melhores dos últimos anos. É que, além disso tudo, o vocalista e líder do Chiclete, Bell Marques, promete metade do show só com improvisos e músicas pedidas pela plateia. “Três das cinco canções inéditas devemos apresentar no show em Manaus: ‘Minha Preta’, ‘Meu Coração Voou’, ‘Chorarei Amor’. São canções lindas e o CD vai ficar ótimo”, afirmou Bell.

Nesta entrevista exclusiva ao EM TEMPO, Bell Marques fala da sensação de arrastar multidões por onde passa, do sucesso com os chicleteiros, das modificações e atualizações tecnológicas sofridas ao longo de quase 30 anos de carreira, do show em Manaus e do novo DVD, que homenageará o rei do baião Luiz Gonzaga, a ser gravado em 2011.

Chiclete já é uma referência quando se fala de carnaval. Como é arrastar uma multidão atrás do trio elétrico?

É uma coisa indescritível. São momentos ímpares na vida de cada pessoa. Imagine só o artista que é responsável por aquela agitação. Ele é o imã daquela alegria. Busco essa explicação e o que move essas pessoas, mas não consigo encontrar.

O Chiclete também faz enorme sucesso nas micaretas por todo o País. Qual o segredo para isso?

Primeiro eu acredito que seja por termos uma banda com quantidade de sucessos grandes. E como fazemos shows com quantidade de sucessos próprios, acabamos fazendo show maravilhoso pras pessoas que estão assistindo. Isso atrai porque tem uma história muito bonita por trás disso. Agregamos pessoas de 30, 40, 50 anos. Isso é um ponto principal. Paul Mccartney é um espelho. Ele faz shows com pessoas de 50 anos e adolescentes e todas se emocionam. Chiclete é mais ou menos isso, desde o primeiro disco até o último. São quase 400 canções e isso atrai um publico muito grande para os shows.

Por conta da adoração dos fãs, o Chiclete tem uma verdadeira “nação de chicleteiros” esperando por seus shows por onde passa. Qual a relação que a banda mantém com seus fãs?

Primeiro, sempre adotamos o que se chama respeito. Temos que ter muito respeito pelas pessoas que admiram o que fazemos. É uma relação de parceria, de troca, de amizade, mas tem que existir essa sintonia. É muito delicado, porque você não conhece e a pessoa te admira. Tem que ter essa sintonia para que as pessoas consigam lhe seguir. É uma coisa mágica pra eles e pra nós. Nos sentimos como ‘Alice no Pais das Maravilhas’. É encantador receber o carinho dessas pessoas que vão até o show ou nos ouvem no rádio. É maravilhoso pra quem tem essa responsabilidade ou foi escolhido pra comandar uma geração que gosta do que você faz.

Como essa adoração é vista por vocês?

É realmente inacreditável. Na minha adolescência, quando via alguém correndo atrás de artista, me questionava. Hoje continuo me questionando. Não conseguimos explicação lógica pra isso. Emoção não tem explicação. Não sei se é o ritmo, minha voz, as etras, mas alguma coisa faz com que essas pessoas entrem na sintonia.

Com tantos anos de estrada e passando por tantas modificações tecnológicas ao longo dos anos, que lições o Chiclete tirou ao longo de quase três décadas de carreira?

Além da tecnologia, passamos por varias situações no mundo fonográfico. A tecnológica ajudou muito, principalmente no trio e, com isso, conseguimos mostrar ao mundo como fazemos canções diferenciadas. Na época, o equipamento era ultrapassado e passamos a usar equipamento melhor. Depois todos se igualaram. Na verdade, o trio é um fenômeno, é considerado o palco mais caro por metro quadrado, porque reúne tantos equipamentos. Lidando com o trio como lida com palco, a gente acaba se igualando com os melhores artistas do mundo. Viajamos o mundo inteiro e sabemos como é. A globalização ajudou muito.

Quantos CDs e DVDs lançados até hoje? Qual o mais marcante da carreira?

Foi um bocado. Não tenho essa quantidade. Perto de 30, não tenho certeza. Os que marcaram a carreira pra um, marcam pra outros. Acho que os últimos CD e DVD do Chiclete, mirando tecnologia, são super especiais. “100% você” é um CD maravilhoso e o “Flutuar” teve uma super tecnologia para oferecer aos chicleteiros. Não saberia dizer qual marcou minha vida.

O reconhecimento tem vindo por meio de prêmios e muitos shows o ano inteiro. Qual a sensação de ser reconhecido como uma banda de sucesso?

Esse estilo musical é muito gratificante, acredito que é até o mais gratificante. A gente lida com uma juventude muito sadia e isso só atrai pessoas de bem com a vida. Não tem como ir a um show do Chiclete se não tiver de bom humor e de bem com a vida. O reconhecimento que temos é maravilhoso, porque recebemos prêmio nos Estados Unidos como melhor show de música brasileira nos Estados Unidos entre todos os estilos musicais. A gente passa como furacão trazendo coisas boas. Todos adoram e nós também.

Qual o segredo para estar no topo do sucesso por tantos anos?

Trabalho. A música sozinha, entre sonho e realidade, tem que estar mais para realidade. Não existe fórmula se não levar a sério a música. A música tem que ter disciplina, horários, tem que saber como lidar com isso, com o sucesso. Quando se faz o melhor, junta muitas peças pequenas para resultar numa coisa grande que é o sucesso. Isso leva em conta tudo, palco, iluminação, músicos, etc. A banda acaba sendo muito observada. Tudo o que faz tem que fazer de forma diferente pra traduzir no melhor possível. São quase 30 anos fazendo sucesso, sempre com a maior quantidade de público. Significa que fizemos esses pontos miúdos melhor  do que os  concorrentes. É trabalho.

Qual será o show apresentado em Manaus no Planeta Música?

Obviamente, estamos alicerçados no DVD “Flutuar”. Já gravamos cinco canções novas para o novo CD e três dessas cinco sejam inéditas: ‘Minha Preta’, ‘Meu Coração Voou’, ‘Chorarei Amor’. As canções lindas e o CD vai ficar ótimo.

O que os chicleteiros de Manaus podem esperar dessa apresentação?

Vai ser um novo show, com muitos efeitos e música. A energia do Chiclete é inegável, vamos levar tudo isso pra Manaus. O show será 50% ensaiado, o resto é improviso, que vem dos chicleteiros. Será uma troca muito interessante, porque não depende só do Chiclete. Precisamos ter esse público que nos aplaude pra retribuir.

O que vem por aí do Chiclete?

Já estamos em estúdio gravando este novo CD. A expectativa é que saia daqui a 40 dias. Também temos um DVD para ser gravado depois do carnaval. Se chamará ‘Chiclete canta Luiz Gonzaga sob o luar do sertão’ e vai ser gravado em Pernambuco, no município de Serra Talhada, vizinha à cidade que mestre Lula nasceu. O DVD é muito especial e vai ter participações de gente que fez parte da vida dele. Vai ser um arraial muito interessante, no estilo do Chiclete.

fonte: Press Comunicação.